Francisca Souza, conhecida como Dona Francisca, tem 56 anos e cuida de oito hectares nos arredores de Petrolina, no semiárido pernambucano. Filha de agricultores, viu o sítio da família quase abandonar a lavoura na seca de 2012. Hoje produz hortaliças, frutas e mel em sistema agroflorestal que outras famílias vêm estudar.

O sítio de sempre, método novo

Relato: O que mudou na propriedade?

Dona Francisca: Antes era monocultura e torrava a terra. Hoje temos mandacaru como quebra-vento, captação de água da chuva, sombra para horta. Não inventei tudo — aprendi com assistência técnica e com vizinhos que nunca pararam de tentar.

Secas mais longas

Ela lista anos difíceis de memória: 2012, 2016, 2019. "Antes a seca vinha, passava, a gente se reerguia. Agora parece que o tempo seco estica." Perdeu plantio inteiro em 2019; quase vendeu o sítio.

"Terra cansada precisa de descanso, como gente. A gente que apressou demais é que se cansou primeiro."

Irrigação e diversidade

Com apoio de cooperativa, instalou sistema de gotejamento alimentado por cisterna. Reduziu cultivo de mamona — exigente em água — e ampliou frutas nativas e hortaliças de ciclo curto.

Relato: A família toda ficou na roça?

Dona Francisca: Um filho foi para a cidade, outro ficou. Respeito. Mas quem fica precisa ver que dá para viver com dignidade — por isso diversifiquei renda com mel e geleia.

Cooperativa e troca de saber

Dona Francisca participa da Cooperativa Regional do Vale do São Francisco. Troca mudas, divide custo de transporte para feira, organiza dias de campo para jovens.

Quando visitamos, ela mostrava canteiro de couve e manjericão com orgulho discreto. "Não é perfeito. Mas é nosso — e está vivo."